“Em todo fim existe um novo começo” é um ditado conhecido. Raramente, porém, essa frase foi tão apropriada quanto no Bayer 04. Após o título da temporada 2023/24 e o vice-campeonato em 2024/25, o clube viveu o verão mais movimentado de sua história em termos de transferências. Mais de dez jogadores, além do treinador e de toda a comissão técnica, deixaram o clube. Muitos heróis do conto do Double iniciaram um novo capítulo em suas carreiras. Foi o fim de uma era. E, ao mesmo tempo, o início de um novo capítulo extremamente empolgante e promissor que se abriu em Leverkusen. O clube recebeu mais de uma dúzia de reforços, entre nomes experientes e jovens talentos, com o objetivo de construir, sob a cruz do Bayer, um novo “fundamento para uma equipe bem-sucedida e capaz de disputar títulos”, como definiu o diretor executivo e esportivo Simon Rolfes. Um novo espírito, uma nova fome de conquistas, uma nova história deveria nascer. O bayer04.de relembra os primeiros meses dessa trajetória e o ato final da temporada anterior.
O palco de 2025 foi inaugurado pelo Bayer 04 no dia 10 de janeiro. Como vice-líder da Bundesliga, a quatro pontos do FC Bayern München, o time entrou em campo na 16ª rodada contra o Borussia Dortmund. Nathan Tella protagonizou uma abertura de jogo espetacular: após apenas 25 segundos, marcou o gol mais rápido do Werkself desde 2014. Ao final, com direito a dois gols de Patrik Schick, o Bayer 04 venceu por 3 x 2. Na sequência vieram o encerramento do turno contra o 1. FSV Mainz 05 (1 x 0) e a estreia no returno diante do Borussia Mönchengladbach (3 x 1). Com uma sequência de 11 vitórias consecutivas em jogos oficiais, a equipe viajou pela UEFA Champions League para enfrentar o Atlético de Madrid, onde acabou derrotada por 1 x 2. Depois disso, houve um empate por 2 x 2 fora de casa contra o RB Leipzig pela Bundesliga e, na Liga dos Campeões, uma vitória por 2 x 0 sobre o Sparta Praga. Com esse resultado, o Bayer 04 encerrou a fase de ligas na sexta colocação – sendo o único time alemão a garantir vaga direta nas oitavas de final da UCL.
Também fora de campo, janeiro foi movimentado. O Bayer 04 anunciou a contratação do jovem atacante argentino Alejo Sarco. Além disso, o clube trouxe por empréstimo até o fim da temporada dois jogadores experientes: Emiliano Buendía, do Aston Villa, e Mario Hermoso, da AS Roma. Por outro lado, teve de lidar com duas baixas pesadas: Jeanuel Belocian, com ruptura do ligamento cruzado, e Martin Terrier, com ruptura do tendão de Aquiles, ambos afastados por cerca de nove meses.
Após a vitória por 3.x 1 sobre o TSG Hoffenheim, a expectativa era enorme para o confronto das quartas de final da Copa da Alemanha, na BayArena, contra o 1. FC Köln. Quando os visitantes abriram 2 x 0 aos 54 minutos, a noite parecia caminhar para uma grande decepção. Patrik Schick, porém, foi o primeiro a se recusar a aceitar o desfecho: com dois gols – o empate em 2 x 2 saiu, naturalmente, no sexto minuto dos acréscimos – ele levou a partida para a prorrogação.
No tempo extra, Victor Boniface marcou aos 98 minutos e levou a BayArena ao delírio. Após o apito final desse duelo eletrizante, Florian Wirtz subiu ao pódio da Nordkurve, enquanto ecoava em uníssono o canto “Uffta, Uffta, Täterä!” pelas arquibancadas. Vitória no dérbi contra o SVB – e a festa rubro-negra estava apenas começando.








Na sequência, a Bundesliga seguiu em um ritmo um pouco mais contido: o Werkself empatou sem gols tanto com o VfL Wolfsburg quanto com o FC Bayern München. O dado positivo: contra o recordista alemão, o Bayer 04 não permitiu nenhuma finalização sequer – algo inédito desde o início do levantamento de dados na temporada 2004/05. Além disso, Xabi Alonso tornou-se o primeiro treinador da história do Bayer 04 a não perder nenhum dos seus seis primeiros jogos oficiais contra o Bayern. Amine Adli, por sua vez, comemorou seu retorno aos gramados após cerca de três meses e meio afastado. Florian Wirtz também foi destaque fora de campo: antes do duelo, recebeu mais uma vez o prêmio de “Jogador do Mês” da Bundesliga – já era o sexto da carreira, um recorde absoluto. Para fechar o mês de fevereiro, o Bayer 04 venceu com autoridade o Holstein Kiel, recém-promovido, por 2 x 0 fora de casa.
Após uma vitória dominante por 4 x 1 fora de casa contra o Eintracht Frankfurt, veio o jogo de ida das oitavas de final da Champions League contra o FC Bayern, em que o Schwarz-Rot acabou derrotado por 0 x 3 . Três dias depois, o Bayer 04 sofreu sua segunda derrota na Bundesliga na temporada, ao perder por 0 x 2 para o SV Werder Bremen. Além disso, Florian Wirtz se lesionou nessa partida e ficou fora por cerca de cinco semanas. No jogo de volta das oitavas da UCL, o Leverkusen voltou a ser superado pelo Bayern, desta vez por 0 x 2. Assim, a cortina se fechou nos palcos europeus: o Werkself estava eliminado da Liga dos Campeões. Pela primeira vez desde o verão de 2022, o Schwarz-Rot perdeu três partidas consecutivas. Após a eliminação na Champions League, Jonathan Tah já olhava para frente: “Agora vamos a Stuttgart e, claro, queremos vencer lá.” E venceram — ainda que de forma muito mais dramática do que gostariam. Contra o VfB Stuttgart, o jogo foi uma verdadeira montanha-russa de emoções. O Werkself ficou duas vezes em desvantagem por dois gols: primeiro 0x2, depois 1x3. Piero Hincapie marcou o 2x3 e, então, ele voltou a aparecer: o já conhecido encanto dos minutos finais. Victor Boniface empatou em 3x3 aos 89 minutos e, na quarta minuto dos acréscimos, o próprio “Mister Laterkusen”, Patrik Schick, decretou o 4 x 3 final. Um “momento mágico”, como descreveu Xabi Alonso após a partida. Com isso, o Schwarz-Rot reduziu a distância para o Bayern — que havia empatado no mesmo dia — de oito para seis pontos. Depois veio a pausa para a Data FIFA, da qual o Bayer 04 retornou no fim do mês com uma vitória segura por 3 x 1 contra o VfL Bochum 1848.











Um capítulo que causou visível dor à equipe foi a semifinal da Copa. Diante do time da terceira divisão, o DSC Arminia Bielefeld, o Werkself acabou derrotado por 1 x 2. Assim, a missão de defender o título chegou ao fim. Nas semanas seguintes, também na Bundesliga as portas para o título começaram a se fechar de vez: contra o 1. FC Union Berlin (0 x 0), partida em que Florian Wirtz retornou aos gramados, e diante do FC St. Pauli (1 x 1), o Bayer 04 ficou apenas no empate. As oportunidades oferecidas pelo Bayern, que nesse período também tropeçou com empates (como o 2x2 contra o Dortmund), não puderam ser aproveitadas pelo Werkself. No fim de abril, o Bayer 04 venceu o FC Augsburg por 2 x 0, mas o Bayern também saiu vencedor, mantendo a distância na disputa.
No início de maio, a disputa pelo título também chegou oficialmente ao fim no papel: enquanto o Bayern empatou em 3x3 com o RB Leipzig, o Werkself ficou no 2 x 2 contra o SC Freiburg, justamente na 400ª partida oficial de Jonathan Tah pelo Bayer 04. Com isso, o recordista de títulos já não podia mais ser alcançado. Ainda assim, a equipe de Xabi Alonso seguia perseguindo um objetivo importante: manter a invencibilidade fora de casa. E conseguiu. Com o empate em 2 x 2 em Mainz, na 34ª rodada, o Bayer 04 fechou duas temporadas completas consecutivas da Bundesliga sem perder como visitante — um feito inédito na história da competição. Com 69 pontos, foi também a terceira melhor campanha da história do clube em termos de pontuação. O encerramento mais emocionante da temporada, porém, havia acontecido uma semana antes, na 33ª rodada, na BayArena, contra o Borussia Dortmund. Foi ali que, entre outros, Xabi Alonso e Jonathan Tah se despediram do público em casa. Ao anunciar oficialmente sua saída ao fim da temporada, na coletiva pré-jogo, Alonso declarou: “Tenho orgulho do que alcançamos. Sou grato por tudo o que vivemos juntos com os torcedores. Esses momentos estão entre os mais bonitos da minha vida. O tempo aqui será para sempre uma parte importante da minha história e da da minha família.” Antes do apito inicial contra o BVB, todos os protagonistas receberam homenagens de agradecimento. O verdadeiro significado daquela tarde de sábado, no entanto, ficou ainda mais evidente após o fim da partida. Para Tah, foi estendido um bandeirão com a mensagem: “Chegou como talento, saiu como campeão do Double. Obrigado por mais de 10 anos, Jona”. Em resposta, o time se dirigiu à arquibancada, e Tah pegou o microfone do estádio: “Não é fácil encontrar as palavras certas. O que conquistamos com o Double, conquistamos juntos. Nunca vou esquecer vocês. Obrigado por tudo!” Sob aplausos ensurdecedores, Tah ainda subiu ao púlpito da torcida na Nordkurve. Em meio aos gritos de “Xabi”, o treinador espanhol também se juntou a ele. Juntos, puxaram o canto do “Uffta” e celebraram no meio dos torcedores. Foram cenas de enorme emoção e olhos marejados — momentos em que o resultado do jogo (2 x 4) simplesmente deixou de ter qualquer importância.










Em julho, a movimentação no mercado seguiu intensa. Granit Xhaka transferiu-se para o recém-promovido à Premier League AFC Sunderland, enquanto Matej Kovar foi emprestado ao PSV Eindhoven. Do campeão holandês, por sua vez, chegou Malik Tillman a Leverkusen. Jarell Quansah, do FC Liverpool, e Christian Kofane, do espanhol Albacete Balompié, também passaram a integrar o elenco que vinha sendo reconstruído passo a passo. Farid Alfa-Ruprecht foi contratado, assim como Oermann e Faye, e igualmente emprestado em seguida.
Com os novos jogadores no grupo e o novo treinador Erik ten Hag, chegou então um momento especial: a pré-temporada no Brasil – um dos grandes destaques das diversas atividades do Bayer 04 no mercado brasileiro. Logo no início do mês, o clube havia inaugurado sua própria escola de futebol em São Paulo e, nas semanas anteriores, lançado novos canais em língua portuguesa, reforçando a ligação histórica e especial com o maior país da América do Sul. No training camp no Rio de Janeiro, a equipe trabalhou intensamente durante dez dias entre o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e Copacabana, focada na preparação para a nova temporada. Embora o primeiro amistoso local contra a equipe sub-20 do CR Flamengo tenha terminado em derrota por 1 x 5, a delegação do Bayer 04 deixou a metrópole brasileira com inúmeras impressões positivas e aprendizados. De volta à Alemanha, o Werkself disputou um amistoso em Bochum e venceu por 2 x 0.



















Agosto trouxe ainda mais movimentações no mercado do que os dois meses anteriores. Lukas Hradecky, capitão, referência e símbolo de identificação, deixou o Bayer 04 após sete anos e se transferiu para o AS Monaco. Um momento ficará para sempre na memória: sua ida à curva ao lado de Xabi Alonso com a taça de campeão. O fato de mais tarde ele ter descrito aquele instante histórico, para muitos indescritível, de forma humilde como uma “honra” e “o momento mais bonito da minha carreira” mostrou mais uma vez de que fibra esse profissional é feito. Ao anunciar sua transferência, Hradecky relembrou assim aquele dia: “Os torcedores acenavam para nós com as mãos. E como eles tiveram uma grande participação no título e sempre estiveram ao nosso lado, especialmente nos momentos difíceis, eu quis devolver algo a eles.” Dito e feito: ele escalou a grade, subiu ao púlpito da torcida organizada e entregou a taça aos ultras sob enormes aplausos. Nascia ali um momento verdadeiramente eterno, em que o orgulhoso pai demonstrou mais uma vez entender profundamente a alma do torcedor.
Pouco a pouco, portanto, os heróis da temporada do Double iam partindo. Também deixaram o elenco Amine Adli (AFC Bournemouth), Victor Boniface por empréstimo (Werder Bremen) e Piero Hincapie (FC Arsenal). “Em Leverkusen aprendi o que é possível alcançar com trabalho duro e identificação com o clube. Jamais esquecerei o apoio de todos os funcionários e dos torcedores do Bayer 04”, disse Hincapie, que para Simon Rolfes é um exemplo perfeito “do nosso conceito de desenvolver jovens jogadores até o nível profissional, alcançar nossos objetivos com eles e, ao mesmo tempo, estabelecê-los na elite absoluta do futebol mundial”. E enquanto pilares importantes deixavam o palco de Leverkusen, novos protagonistas surgiam sob os holofotes. Foram contratados Janis Blaswich (RB Leipzig), Loïc Badé (FC Sevilla), Eliesse Ben Seghir (AS Monaco), Ernest Poku (AZ Alkmaar), Ezequiel Fernández (Al-Qadsiah FC), Claudio Echeverri (Manchester City/Leihe) e Lucas Vázquez, que, entre outros títulos, venceu a Champions League cinco vezes com o Real Madrid. Outra novidade importante: Robert Andrich assumiu oficialmente a braçadeira de capitão, sucedendo Hradecky – para o meio-campista, uma “enorme honra e grande reconhecimento”, como destacou na ocasião.
Assim, uma equipe profundamente reformulada se apresentava sob a cruz do Bayer – com a mesma fome de repetir os sucessos recentes e a mesma motivação para escrever a sua própria história. Para isso, porém, o time precisava de tempo para se encontrar. Não apenas em um novo clube, mas em uma nova liga, um novo país e uma nova cultura. Os amistosos contra Fortuna Sittard (2 x 1) e SC Pisa (3 x 0) terminaram com vitórias, enquanto diante do campeão mundial de clubes, o FC Chelsea, houve derrota (0 x 2). Na sequência, a equipe enfrentou o SG Sonnenhof Großaspach. Contra o time da Regionalliga, o duelo da primeira fase da Copa marcou a estreia oficial da temporada. A partida, interrompida por 40 minutos devido a uma tempestade e marcada por dois cartões vermelhos para os donos da casa, terminou a favor do Werkself (4 x 0).










Menos positivo foi o início da Bundesliga uma semana depois, com a derrota para o TSG Hoffenheim (1 x 2). O empate em seguida por 3 x 3 em Bremen, no qual o Werkself desperdiçou uma vantagem de dois gols mesmo com um jogador a mais, voltou a gerar rostos decepcionados — não apenas entre jogadores e torcedores. A diretoria do clube, liderada por Fernando Carro e Simon Rolfes, decidiu então, em conjunto com o conselho de acionistas, encerrar a colaboração com Erik ten Hag . “Ninguém desejava esse passo”, enfatizou Rolfes à época. Mas ele reconheceu: “As últimas semanas mostraram que a construção de uma nova equipe bem-sucedida, nessa configuração, não poderia ser conduzida de forma eficaz.”
Após a saída de ten Hag, Kasper Hjulmand assumiu o comando. Sua última experiência como treinador havia sido à frente da seleção da Dinamarca, até o verão europeu de 2024, e desde então ele trabalhava em um projeto de campus para a federação dinamarquesa de futebol. Ao receber o convite do Bayer 04, porém, o técnico de 53 anos não resistiu. “O projeto do campus era algo muito especial para mim e, como treinador, eu praticamente não estava no mercado. Mas apenas um clube poderia me dar a sensação de querer assumir novamente uma equipe – e esse clube foi o Bayer 04”, afirmou Hjulmand em sua apresentação. Para Simon Rolfes, o dinamarquês era a peça que faltava no quebra-cabeça do time recém-reconstruído: “Na situação atual, o mais importante é uma boa convivência. A química precisa funcionar. Ele combina com o nosso futebol e também com as pessoas daqui.” Muito tempo para conhecer o elenco, Hjulmand não teve. Mas isso não o incomodou: “Claro que nem tudo pode funcionar perfeitamente de imediato. Mas na seleção eu aprendi a trabalhar sempre de forma precisa e eficiente.” E, de fato, rapidamente ficou claro que o caminho era de crescimento. Após os acontecimentos do verão, a calma voltou ao clube e a equipe desenvolveu um novo e fortalecido espírito coletivo.
Os resultados começaram a aparecer. Contra o Frankfurt, por exemplo, o time venceu por 3 x 11 na estreia de Hjulmand, mostrando muita luta mesmo atuando em dupla inferioridade numérica. Depois de um empate com o Mönchengladbach por 1 x 1, a equipe venceu fora de casa o St. Pauli por 2 x 1. Na Champions League, porém, a expectativa era maior: na estreia da nova temporada da UCL, o Bayer 04 empatou por 2 x 2 com o FC Copenhagen. O gol de empate, já na reta final da partida, foi marcado por Alejandro Grimaldo da forma que parecia ser a única conhecida por ele naquele período: em cobrança direta de falta. Pouco antes, contra o Frankfurt, o especialista em bolas paradas já havia colocado a bola na rede duas vezes, sempre por cima da barreira. O ponto negativo desse jogo foi a lesão de Exequiel Palacios , que acabaria afastado dos gramados até o fim do ano.
Pontualmente com o início de outubro, aconteceu o primeiro jogo em casa do Bayer 04 na nova temporada da Champions League. Contra o PSV Eindhoven, o Werkself apresentou domínio, intensidade e controle, mas ainda assim não passou de um empate por 1 x 1. Três dias depois, o cenário foi diferente: diante da Union Berlin, em casa, a equipe venceu de forma extremamente convincente por 2 x 0. “Hoje jogamos como se já estivéssemos juntos há muitos anos”, afirmou o autor de um dos gols, Ernest Poku, após a partida. Também Mark Flekken percebeu claramente a evolução do time recém-formado: “Dá para notar que a confiança dentro da equipe está crescendo, assim como as conexões entre os jogadores.” Duas semanas mais tarde, após a pausa para as seleções, o Bayer 04 venceu o Mainz fora de casa por 4 x 3. Jonas Hofmann traduziu o sentimento vivido naquele período com palavras certeiras: “Parece que as engrenagens estão se encaixando cada vez melhor.”














Vitórias neste mês também vieram contra o SC Freiburg, por 2 x 0, e na segunda fase da Copa da Alemanha, fora de casa, diante do SC Paderborn 07. Aquela noite em Ostwestfalen teve tudo o que um dia transformou o “Laterkusen” em mito: Grimaldo, como de costume, cobrou falta com categoria e marcou, mas o Werkself precisou suportar o empate aos 90 minutos e, logo no início da prorrogação, ainda sofreu a virada. Seria a eliminação na Copa? De jeito nenhum. Com três gols já nos acréscimos da prorrogação, Jarell Quansah (105'+1), Ibrahim Maza (120'+2) e o inspirado Aleix Garcia (120'+4), em grande fase há semanas, levaram o Werkself à classificação para as oitavas de final em Ostwestfalen. A única derrota de outubro — e a primeira sob o comando de Kasper Hjulmand — veio na Champions League, contra o atual campeão Paris Saint-Germain. Diante do poderoso time francês, recheado de estrelas, vencedor da tríplice coroa e finalista do Mundial de Clubes, o Bayer 04 acabou superado por 2 x 7.
No noticiário de elenco, o mês também trouxe histórias marcantes: Jeanuel Belocian (contra a Union Berlin) e Martin Terrier (contra o Mainz, inclusive com gol) voltaram a atuar após cerca de nove meses afastados por lesão. Patrik Schick retornou diante do Freiburg depois de um mês fora. Exequiel Palacios renovou antecipadamente seu contrato com o Bayer 04 por mais dois anos, até 2030. Em contrapartida, houve más notícias: Ezequiel Fernández e Axel Tape se lesionaram. Além disso, Lucas Vázquez e Nathan Tella também ficaram indisponíveis nessas semanas.
No início de novembro, um elenco já bastante desfalcado viajou para Munique. E na Allianz Arena, infelizmente, duas séries importantes chegaram ao fim. Por um lado, o Werkself voltou a perder um jogo de Bundesliga contra o FC Bayern após três anos. Por outro — e ainda mais significativo —, a derrota por 0 x 3, em 1º de novembro, encerrou após impressionantes 889 dias a histórica sequência recorde de 37 partidas fora de casa sem derrota na liga. O caráter histórico voltaria a aparecer uma semana depois — desta vez de forma positiva. Após o Werkself conquistar, no meio da semana, sua primeira vitória da temporada na Champions League, ao bater o Benfica (1 x 0) a equipe encantou os torcedores na BayArena com uma atuação arrebatadora no 6 x 0 sobre o 1. FC Heidenheim 1846. A partida trouxe inúmeras histórias, recordes e estreias. Entre outros destaques, o inspirado Ibrahim Maza, que vivia grande fase e mais tarde seria eleito o “Rookie do Mês” de novembro marcou seu primeiro doblete como profissional. Além disso, jamais o Werkself havia vencido um jogo em casa na Bundesliga por uma diferença de gols tão ampla.












Após a grande festa do futebol contra o Heidenheim, veio a pausa para as seleções — em um momento pouco oportuno, diante da boa fase da equipe. Ainda assim, o Werkself manteve o mesmo nível na retomada. Em Wolfsburg, o Bayer 04 venceu por 3 x 1 e, três dias depois, mostrou sua força no maior palco do futebol europeu: diante do Manchester City, o Bayer atuou com coragem e qualidade e conquistou uma vitória por 2 x 0. Um satisfeito Kasper Hjulmand declarou após a partida: “Eu disse aos jogadores que estou muito orgulhoso deles. Este time tem um potencial enorme e um caráter gigantesco. É uma noite da qual vamos nos lembrar por muito tempo.” Alguns dias depois, aconteceu o primeiro confronto do chamado “duelo duplo” contra o Borussia Dortmund, composto pelo jogo da Bundesliga e pelo duelo das oitavas de final da Copa. Apesar de uma atuação combativa, o Bayer 04 acabou derrotado por 1 x 2.
Três dias depois, no jogo da Copa, o Bayer 04 venceu por 1 x 0 e garantiu vaga nas quartas de final, nas quais enfrentará o St. Pauli no próximo ano. À boa sequência contra o BVB seguiu-se uma derrota por 0 x 2 diante do Augsburg. O encerramento intenso do ano, com sete partidas em 21 dias, continuou com o duelo da UCL contra o Newcastle United, que terminou em 2 x 2. No último jogo em casa do ano, o Werkself venceu o 1. FC Köln por 2 x 0. Treinador, companheiros, torcedores, comentaristas e jornalistas ficaram boquiabertos quando Martin Terrier, aos 66 minutos, acertou um chute de escorpião e colocou o Werkself em vantagem com extrema categoria. O francês escolheu o momento perfeito para marcar, segundo ele próprio, “o gol mais bonito da minha carreira”. Afinal, foi esse lance, esse gol que abriu o caminho para a vitória no dérbi. O autor do segundo gol, Robert Andrich, definiu a pintura de Terrier como um “gol absurdo”, enquanto o técnico Kasper Hjulmand falou em um “magic moment”. Já o comentarista do Werkself-Radio, Niko Hartmann, perdeu completamente a compostura diante do lance genial: “Um golaço! De calcanhar! De voleio! O gol do ano na BayArena! E logo no dérbi contra o 1. FC Köln!”, gritou, com toda a emoção e paixão.
Mas o último capítulo do ano ainda não havia sido escrito — o Werkself tinha mais um jogo pela frente. No encerramento da temporada, fora de casa contra o RB Leipzig, a equipe celebrou um final perfeito para esses doze meses tão intensos com uma vitória por 3 x 1. Martin Terrier voltou a marcar e balançou as redes pela primeira vez em dois jogos consecutivos de Bundesliga. Patrik Schick também deixou o seu e se isolou, ultrapassando Dimitar Berbatov, como o maior artilheiro estrangeiro da história do Bayer 04. O ponto final ficou por conta de um jovem de 18 anos: Montrell Culbreath, da equipe sub-19, fez sua estreia como profissional e a coroou com o gol que fechou o placar. Com isso, deu a si mesmo “o maior presente de Natal de todos”, como afirmou depois da partida. Culbreath passa a ser o quarto jogador mais jovem do Bayer 04 a marcar um gol na Bundesliga. Outro ponto positivo: Axel Tape, Lucas Vázquez e Ezequiel Fernández retornaram aos gramados após várias semanas afastados por lesão.















Muitas histórias bonitas marcaram esse encerramento de ano. E uma delas fez um arco que levou de volta ao início dessa jornada: assim como na abertura em janeiro, em Dortmund, quando o gol de Nathan Tella aos 25 segundos iniciou o ano de forma fulminante e deu ao Bayer 04 a primeira derrota em casa do BVB naquela temporada, foi novamente Leipzig, ao fim desses doze meses, o palco onde o Werkself venceu pela primeira vez o adversário em seus próprios domínios. O Bayer 04 encerra o ano agora com 29 pontos, na terceira colocação da tabela, e com 33 gols marcados, ostentando atualmente o segundo melhor ataque da liga. Kasper Hjulmand, por sua vez, fecha o ano com uma média de 2,15 pontos por jogo na Bundesliga — o segundo melhor índice da história de um treinador do Bayer 04, superado apenas por Xabi Alonso, com 2,16.
As últimas palavras de Hjulmand após a vitória em Leipzig, porém, como de costume, foram direcionadas ao time: “Estou muito, muito orgulhoso do que a equipe fez nos últimos meses. Estamos muito bem encaminhados — nas três competições.” Também Simon Rolfes fez um balanço positivo e projetou o futuro: “Os primeiros seis meses de ‘conhecimento mútuo’ ficaram para trás. Agora é hora de levar a equipe ao limite do desempenho e realmente ser bem-sucedida. Nossa ambição e nossa fome por resultados continuarão altas no novo ano.” Doze meses ficaram para trás para o Bayer 04, marcados por despedidas emocionais, coragem em meio às mudanças, confiança no desenvolvimento, o fim de recordes históricos e o início de novas histórias. E, acima de tudo, pela crença em um caminho coletivo, com a convicção de que o sucesso nem sempre é linear — mas nasce, sobretudo, da paciência e da união.
Que venha um 2026 espetacular, torcedores do Bayer 04!