
O FC Villarreal apresenta duas faces nesta temporada. Na La Liga espanhola, o clube da província de Castellón ocupa a 4ª colocação, atrás de Atlético de Madrid, Real Madrid e FC Barcelona. Já na UEFA Champions League, a situação era praticamente sem saída antes mesmo da 7ª rodada. Por isso, o técnico Marcelino promoveu muitas rotações na equipe contra o Ajax Amsterdam. Mesmo com uma vitória, sua equipe não teria mais chances de alcançar os playoffs. Ainda assim, o Villarreal foi melhor durante cerca de uma hora na derrota por 2 a 1 em casa para os holandeses. Após sair na frente com gol do atacante Tani Oluwaseyi, o Ajax conseguiu virar a partida no último terço do jogo. Com isso, o Villarreal permaneceu na penúltima posição da tabela e, ao lado de Kairat Almaty e Slavia Praga, é uma das únicas equipes que ainda não venceram na competição.
Em sua quinta participação na Champions League, o “Submarino Amarelo” — apelido do clube por conta de seus uniformes amarelos e da ligação especial com a música “Yellow Submarine”, dos Beatles — conquistou seu único ponto no empate em 2 a 2 contra a Juventus. Nos outros seis jogos, os espanhóis perderam para Tottenham Hotspur (0 a 1), Manchester City (0 a 2), Pafos FC (0 a 1), Borussia Dortmund (0 a 4), FC Copenhagen (2 a 3) e, por fim, para o Ajax Amsterdam.
A situação é bem diferente no cenário nacional. Após 20 partidas da La Liga, a equipe liderada pelo capitão Gerard Moreno soma 13 vitórias, dois empates e cinco derrotas. Com 41 pontos, o clube do leste da Espanha segue claramente no caminho para uma vaga na próxima Champions League. No último fim de semana, porém, o Villarreal perdeu em casa o grande clássico contra o Real Madrid por 2 a 0, com dois gols do astro Kylian Mbappé. O técnico Marcelino destacou o bom desempenho defensivo de seus jogadores: “Conseguimos fazer com que o Real tivesse poucas chances. Defensivamente, fizemos um bom jogo tanto coletivamente quanto individualmente. Mas nos faltou sorte.” Ainda assim, o treinador de 60 anos reconhece que sua equipe vive atualmente “uma fase negativa”. O campeão da Liga Europa de 2021 vem de três derrotas consecutivas. Dos últimos dez jogos oficiais, o Villarreal venceu apenas três, além de seis derrotas e um empate. Nesse período, os Amarelos foram eliminados da Copa do Rei pelo Racing Santander, da segunda divisão (1 a 2), e também perderam na liga os outros dois jogos grandes: 0 a 2 contra o FC Barcelona e pelo mesmo placar diante do Real Betis, concorrente direto por vagas em competições europeias.
No jogo final da fase de liga contra o Werkself, o técnico Marcelino não poderá contar com o lateral-direito Santiago Mourino, suspenso, nem com os zagueiros Logan Costa (ruptura do ligamento cruzado) e Juan Foyth. Este último sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles na derrota por 2 a 0 para o Real Madrid. O argentino, que foi campeão mundial em 2022 ao lado do meio-campista do Bayer 04 Exequiel Palacios, precisará passar por cirurgia. Também está fora o centroavante Pau Cabanes, igualmente por ruptura do ligamento cruzado.
Na zaga, Foyth foi substituído por Rafa Marín contra o Real Madrid. O defensor também atuou recentemente na Champions League ao lado de Renato Veiga no miolo defensivo. Tanto Marín, emprestado pelo Napoli, quanto Veiga, recém-chegado do Chelsea, rapidamente se firmaram como titulares sob o comando de Marcelino. Outra peça central no jogo do Submarino Amarelo é Pape Gueye. O meio-campista de 27 anos conquistou recentemente a Copa Africana de Nações com Senegal e foi o nome decisivo da final contra o Marrocos, marcando um belo gol na prorrogação para fazer 1 a 0. No Villarreal, ele costuma atuar no meio ao lado de Santi Comesaña ou Dani Parejo, que aos 36 anos é o jogador mais experiente do elenco. O atleta mais perigoso em termos de gols é Alberto Moleiro, que atua majoritariamente pela esquerda e já marcou oito vezes na La Liga. Na Champions League, porém, o espanhol ainda não balançou as redes.
No ataque, Marcelino conta com várias opções de alto nível. O georgiano Georges Mikautadze chegou no último verão vindo do Olympique Lyon e é a contratação mais cara da história do clube. Até agora, o centroavante marcou sete gols em 24 partidas oficiais. Além dele, Tani Oluwaseyi, Ayoze Pérez — artilheiro do time na última temporada, com 19 gols — e o capitão Gerard também se sentem mais à vontade atuando pelo centro do ataque. Aos 33 anos, Gerard é uma lenda do clube: passou pelas categorias de base do Villarreal e retornou em 2018, após passagens por Mallorca e Espanyol Barcelona. O Werkself também precisa ficar atento ao lado direito do ataque espanhol, por onde avançam com frequência o marfinense Nicolas Pépé e o canadense Tajon Buchanan.
O Villarreal marcou apenas cinco gols nos sete jogos disputados até aqui nesta edição da Champions League. Apenas o clube cipriota Pafos FC e o Slavia Praga fizeram menos gols, com um a menos cada. Em quatro das sete partidas, os espanhóis passaram em branco no ataque. Embora tenham criado boas oportunidades em quase todos os jogos, o aproveitamento nas finalizações é um grande problema: com 4,8%, o Villarreal tem o segundo pior índice de conversão da competição, atrás apenas do Slavia Praga.
A dificuldade ofensiva na Champions League surpreende, considerando a qualidade do ataque espanhol. Na temporada passada, o Villarreal teve o terceiro melhor ataque da La Liga, com 71 gols — atrás apenas do campeão Barcelona (102) e do Real Madrid (78) —, estabelecendo ainda um novo recorde do clube. E também na atual temporada os Amarelos seguem muito produtivos: com 37 gols em 20 jogos, têm o quarto melhor ataque do campeonato, atrás apenas do líder Barcelona, além de Real Madrid e Atlético de Madrid. O técnico Marcelino, que já havia comandado o clube entre 2013 e 2016, reassumiu o Villarreal no fim de 2023 e desde então trouxe mais estabilidade e equilíbrio. A defesa, com apenas 21 gols sofridos, também está entre as melhores da liga — somente os dois clubes de Madri sofreram menos, com 17 cada.
