
O Benfica Lisboa teve um início promissor na fase de grupos da UEFA Champions League, mas a estreia acabou se transformando em frustração. Diante do Qarabag Agdam, os Encarnados abriram 2 a 0 em casa com apenas 16 minutos, mas diminuíram o ritmo e viram os visitantes do Azerbaijão virarem o placar para 3 a 2. Foi a primeira vitória da história do Qarabag na competição. O resultado teve consequências imediatas: o técnico Bruno Lage foi demitido, e o clube anunciou como substituto ninguém menos que José Mourinho. Curiosamente, o português havia sido eliminado pelo próprio Benfica poucas semanas antes, quando ainda comandava o Fenerbahçe nas eliminatórias da Champions League (0 x 0 e 0 x 1), o que também lhe custou o cargo na Turquia.
“The Special One” assumiu o comando do Benfica em 19 de setembro de 2025, quase exatamente 25 anos após iniciar sua carreira como treinador no mesmo clube, sucedendo Jupp Heynckes. Naquela primeira passagem, Mourinho permaneceu apenas três meses antes de pedir demissão. Agora, em sua segunda era no clube, o técnico de 62 anos começou com uma vitória convincente por 3 a 0 sobre o AVS Futebol SAD, pelo Campeonato Português. Na Champions League, porém, o sucesso ainda não apareceu: o Benfica perdeu para o Chelsea por 1 a 0, com gol contra de Richard Rios, e depois foi derrotado por 3 a 0 pelo Newcastle United, apesar de uma boa atuação no primeiro tempo e de três ótimas chances criadas por Dodi Lukebakio.
Com três derrotas em três partidas o Benfica, que na temporada passada alcançou as oitavas de final, ocupa atualmente a penúltima posição na tabela e chega pressionado para o duelo com o Werkself. A preparação para o confronto, no entanto, foi positiva: no fim de semana anterior, o time venceu o Vitória de Guimarães por 3 a 0, com gols de Tomás Araújo, Samuel Dahl e João Rego. Invicto no Campeonato Português após dez rodadas (sete vitórias e três empates), o clube ocupa o terceiro lugar, atrás do Sporting e do líder Porto. Mourinho, embalado, reforçou o tom desafiador antes do encontro com o Bayer 04, equipe que ele eliminou nas semifinais da UEFA Europa League há dois anos e meio, quando dirigia a Roma: “Precisamos dar tudo. Ainda está em aberto e temos essa chance se deixarmos tudo em campo. Quarta-feira, no estádio com 60 mil torcedores, precisa pegar fogo.”
O comandante da defesa é o veterano Nicolás Otamendi, de 37 anos, o jogador mais experiente do elenco. Capitão e referência, o zagueiro argentino, campeão mundial em 2022 ao lado de Exequiel Palacios, atua pelo Benfica há cinco temporadas e soma 251 jogos oficiais, com 17 gols e 11 assistências. Ao seu lado costumam jogar os jovens portugueses António Silva e Tomás Araújo. Nas laterais, as opções incluem o sueco Samuel Dahl (contratado da Roma) e o norueguês Fredrik Aursnes, que também atua no meio-campo. Já o lateral-direito Amar Dedić, reforço vindo do RB Salzburg, está fora devido a uma lesão muscular.
No meio, Enzo Barrenechea (emprestado pelo Aston Villa) e Richard Rios (ex-Palmeiras) formam a dupla de volantes. O luxemburguês Leandro Barreiro, ex-Mainz 05, oferece versatilidade e já atuou duas vezes na Champions League. No ataque, dois nomes conhecidos da Bundesliga: Dodi Lukebakio e Bruma. O belga, que passou por Fortuna Düsseldorf, Wolfsburg e Hertha BSC, chegou do Sevilla neste verão europeu e acumula um gol e quatro assistências em nove jogos. Bruma, ex-RB Leipzig, é desfalque após romper o tendão de Aquiles.
O principal goleador do Benfica é o grego Vangelis Pavlidis, com 13 gols em 20 partidas oficiais nesta temporada. Na anterior, ele já havia marcado 19 vezes. O atacante de 26 anos teve uma breve passagem pelo futebol alemão, com quatro jogos pelo Bochum na 2. Bundesliga (2016/17). Pavlidis ganhou destaque ao marcar três gols contra o Barcelona em janeiro deste ano, embora o Benfica tenha perdido por 5 a 4 nos acréscimos. Outras opções ofensivas de Mourinho incluem o ucraniano Heorhiy Sudakov (ex-Shakhtar Donetsk), o norueguês Andreas Schjelderup e o croata Franjo Ivanovic, formado na base do FC Augsburg. Já o argentino Ángel Di María deixou o clube no último verão e retornou ao seu país. O time também perdeu peças importantes, como o lateral-esquerdo Álvaro Carreras (Real Madrid) e o atacante Kerem Aktürkoglu (Fenerbahçe).
Até agora, o Benfica marcou apenas dois gols na Champions League, ambos na estreia contra o Qarabag. Nas derrotas para Chelsea e Newcastle, o time não balançou as redes e demonstrou pouca criatividade ofensiva, especialmente em Londres. O jejum de gols já ultrapassa 260 minutos.
Se o ataque tem sofrido, a defesa mostra consistência nos torneios domésticos. O time de Mourinho não sofreu gols em sete das dez rodadas do Campeonato Português, além de manter a meta inviolada nas últimas cinco partidas somando liga e copa. Com apenas quatro gols sofridos e 21 marcados, o Benfica tem o terceiro melhor ataque do país, atrás apenas de Sporting (25) e Porto (23). Agora, o desafio é transportar essa solidez e eficiência ofensiva também para o cenário europeu.


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