Análise do adversário: HSV chega a Leverkusen sem pressão

O Hamburger SV garantiu sua permanência na Bundesliga já na 32ª rodada. Assim, o objetivo da temporada foi alcançado de forma tranquila, apesar de uma breve fase de instabilidade na primavera europeia. Para encerrar a atual campanha, o HSV visita a BayArena neste sábado, 16 de maio (às 10h30, horário de Brasília). Dois líderes da equipe podem fazer sua última partida pelos Rothosen. A análise do adversário.
Hamburger SV beim Torjubel

POSIÇÃO

Não seria surpresa se, no futuro, o dia 10 de maio se tornasse um feriado não oficial em Hamburgo. Em 2025, foi nessa data que o HSV retornou à Bundesliga após sete anos de ausência. Exatamente um ano depois, os hamburgueses voltaram a comemorar intensamente com seus torcedores no Volksparkstadion lotado. Após a vitória por 3 a 2 sobre o finalista da Liga Europa, SC Freiburg, no último jogo em casa da temporada, o clube também celebrou diante de sua torcida a permanência na elite, já garantida uma semana antes com o triunfo por 2 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt. Agora, em Leverkusen, a equipe poderá atuar sem pressão.

O mês de maio, portanto, mais uma vez traz grande entusiasmo para Hamburgo. O HSV ocupa a 11ª posição antes da última rodada, com 37 pontos — 11 acima da zona de playoff do rebaixamento. O principal objetivo da temporada foi alcançado com tranquilidade. E a alegria pelo feito era perceptível em todos os lugares. “Houve muitos momentos incríveis nesta temporada”, afirmou o meio-campista Nicolai Remberg, um dos destaques da equipe comandada por Merlin Polzin. “Como grupo, conquistamos algo grande. Todos se dedicaram ao máximo. Nossa força foi o fato de que até os jogadores que normalmente atuam menos corresponderam quando foram necessários e tiveram sua oportunidade.” Foi o caso, por exemplo, dos jovens formados no clube Otto Stange (19) e Fabio Baldé (20) na vitória contra o Freiburg. Stange fez sua estreia como titular na Bundesliga, enquanto Baldé marcou seu primeiro gol na competição. Além deles, outros dois talentos revelados pelo HSV também tiveram seus primeiros momentos na elite alemã nos acréscimos: Louis Lemke, de apenas 16 anos, tornou-se o estreante mais jovem da história do clube na Bundesliga, e Shafiq Nandja (19) também fez sua primeira aparição na primeira divisão.

Além das boas notícias dentro de campo, o HSV anunciou oficialmente na última terça-feira uma importante mudança administrativa: Kathleen Krüger assumirá em 1º de julho o cargo de diretora esportiva do clube, substituindo Stefan Kuntz, desligado em janeiro. Após 17 anos no Bayern de Munique, onde atuava mais recentemente como chefe de organização e infraestrutura, a dirigente de 40 anos se mudará para Hamburgo e passará a comandar toda a área esportiva do HSV. Com isso, a Bundesliga terá pela primeira vez uma diretora esportiva fixa em sua história.

O que nos destacou foi que, também, os jogadores que normalmente não atuam tanto, entregaram desempenho quando foram necessários e tiveram sua oportunidadeNicolai Remberg, motor do meio-campo do HSV, sobre a fórmula do sucesso dos Rothosen

ELENCO

A vitória sobre o SC Freiburg se transformou em um último jogo em casa extremamente emocionante para o HSV. Não apenas porque a permanência na Bundesliga pôde ser comemorada mais uma vez diante da torcida, mas também porque pode ter sido a despedida de dois jogadores especiais no Volksparkstadion. O zagueiro Luka Vušković e o meia ofensivo Fabio Vieira foram dois dos principais responsáveis pela grande temporada do clube, protagonistas dos últimos meses e também os artilheiros da equipe, ambos com seis gols marcados. Quando Merlin Polzin substituiu os dois pouco antes do fim da partida, a torcida os homenageou com aplausos de pé. Vušković e Vieira devem novamente começar entre os titulares neste sábado, na BayArena. Após a temporada, porém, o HSV provavelmente terá de seguir sem eles. “99,9% de certeza de que foi minha festa de despedida”, afirmou Vušković após o jogo contra o Freiburg. O zagueiro croata de 19 anos está emprestado pelo Tottenham Hotspur até o fim da atual temporada. Já o português Fabio Vieira, cedido pelo Arsenal, também deve ser difícil de manter em Hamburgo.

Para o duelo em Leverkusen, Polzin deve manter a linha de três defensores à frente do goleiro Daniel Heuer Fernandes, formada por Vušković, Nicolas Capaldo e Warmed Omari. O lateral-esquerdo Miro Muheim, recuperado de uma lesão no tornozelo, voltou a treinar com o grupo e pode retornar ao elenco. No meio-campo defensivo, Nicolai Remberg e Albert Sambi Lokonga seguem como titulares absolutos. Nas alas, Bakery Jatta e Albert Grönbaek atuaram nos dois últimos jogos. No ataque, além de Fabio Vieira, o treinador conta com atacantes como Ransford Königsdörffer e o jovem Otto Stange. Robert Glatzel ficou fora contra o Freiburg devido a uma lesão na panturrilha.

PROBLEMAS

O ataque é o principal ponto fraco do HSV: com apenas 39 gols marcados, a equipe possui o quarto pior desempenho ofensivo da Bundesliga. Fora de casa, apenas o rival local FC St. Pauli marcou menos gols (12) do que os Rothosen (14). Atacantes como Robert Glatzel, Jean-Luc Dompé, Rayan Philippe e Yussuf Poulsen raramente conseguiram corresponder às expectativas depositadas neles. Sem os seis gols do zagueiro Luka Vušković, a situação ofensiva de Hamburgo seria ainda pior.

Também faltaram precisão e poder de decisão no primeiro turno, na derrota em casa por 1 a 0 para o Bayer 04. No jogo adiado disputado no início de março, o HSV quase não conseguiu criar chances claras. O Werkself venceu com justiça, e a melhor oportunidade dos mandantes foi simbolicamente do próprio Vušković, que nos acréscimos acertou o travessão após defesa de Janis Blaswich.

Hamburger SV gegen Bayer 04
Alegria e frustração no primeiro turno: o goleiro do Bayer 04, Janis Blaswich, comemora sua defesa salvadora nos acréscimos diante de Luka Vušković, do Hamburgo (à direita)

PONTO FORTE

Defensivamente, o HSV apresenta relativa solidez. O goleiro Daniel Heuer Fernandes sofreu 53 gols na temporada — apenas os seis primeiros colocados da tabela têm números melhores. Embora o Hamburgo permita muitas finalizações contra seu gol, a equipe é difícil de ser batida pelo alto. Apenas três gols de cabeça sofridos colocam o clube na terceira melhor marca da Bundesliga nesse quesito. O recém-promovido também se defende muito bem contra contra-ataques. O HSV sofreu apenas um gol dessa forma em toda a liga — segunda melhor marca, atrás apenas do Borussia Dortmund, que ainda não sofreu nenhum.

Por outro lado, o jogo de transição ofensiva é uma das grandes armas dos hamburgueses. Com dez gols em contra-ataques, o HSV possui a segunda melhor marca da Bundesliga ao lado do Bayer 04 e atrás apenas do Bayern de Munique, ambos com 13. Na frente, Fabio Vieira é o principal destaque ofensivo da equipe. Com seis gols e cinco assistências, o português participou diretamente de 11 gols do HSV na temporada.

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